O RITMO QUE EU PERDI

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Eu só comecei a ir para as baladas aos 18 anos. Na maioria das vezes, era a minha mãe quem me levava – e, às vezes, ela também ficava. Costumava ir com as minhas primas Thaís, Thathí e Aline e com a minha irmã, Bruna. O nosso lugar preferido era o Lucena Bar, na Lapa.

Eu gostava muito de andar na região da 25 de Março e ir ao Brás para fazer compras. Ia muito à 25 de Março para comprar bijuterias prontas e material para fazer (eu fazia e vendia). Vendia adesivos também, na escola – vendia na escola. Na maioria das vezes, ia com minha prima Thaís, mas, às vezes, a Thathí, a Aline, a Bruna, minha mãe e/ou meu pai, também me acompanhavam. Eu gostava de andar, e andava muito! Sempre ia nas casas das minhas tias e amigas.

Eu frequentava a igreja e participava ativamente… Cheguei até a ser assistente de catequista.
Gostava de viajar, de festas, de dançar, de quermesses, de ir a parques (íamos muito ao Horto Florestal)… Adorava o Playcenter, principalmente nas “Noites de Terror”… Nossa, como eu me divertia!

Mas então veio o AVC. E tudo mudou. Ne senti presa. Frustrada. Deprimida. Perdida. As coisas que eu fazia com leveza, com autonomia, de repente se tornaram distantes. Me vi prisioneira do meu próprio corpo. E foi como se o mundo tivesse ficado mais silencioso, mais lento, mais duro.

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