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  • ADOLESCÊNCIA, CORPO E AUTOESTIMA

    Aos 13 anos, comecei a ter vergonha do meu corpo. Por causa dos inchaços frequentes na barriga, as minhas costelas ficaram dilatadas. A minha barriga sempre foi mais alta e tinha as cicatrizes dos cateteres, do transplante e do reimplante. Mas, de modo geral, eu era muito magra. Os meus joelhos eram valgos (pra dentro). Eu não tinha corpo desenvolvido como o das meninas da minha idade que eu conhecia. Foram muitas as vezes em que me senti inferior às minhas primas, amigas, colegas e à minha irmã por causa disso.

    Eu nunca ia a passeios para parques aquáticos, não usava shorts, nem saia acima dos joelhos, nem calça muito apertada. Era vergonha demais e medo de ser ridicularizada — coisa que acontecia, mas conseguia fingir que não via nem ouvia. Também não contava, não reclamava para ninguém. Usava calça larga, muitas vezes masculina, para tentar disfarçar um pouco a finura e a deformidade das minhas pernas. Também tinha vergonha do meu braço da fístula, por ser dilatado e torto. Eu percebia os olhares e, muitas vezes, as perguntas: “Por que seu braço é assim?”

    Até hoje, adulta, ainda tenho as minhas inseguranças, mas consigo entender que as deformidades do meu corpo e as minhas cicatrizes são marcas das minhas vitórias diante de tudo o que eu passei. Se não fosse a fístula, os cateteres, os transplantes e o reimplante, eu não estaria aqui hoje. Ter a maturidade para compreender isso foi uma verdadeira virada de chave na minha vida.