ACOMPANHAMENTO PÓS-TRANSPLANTE

Fiz acompanhamento no pós-transplante… No começo, uma vez por semana, durante cerca de um mês. O normal é começar passando duas vezes por semana, mas eu estava muito bem e tinha ficado tanto tempo internada que a minha médica, Dra. Luciana Feltran, e o Dr. Paulo Koch resolveram me deixar uma vez na semana. Conforme meus exames foram se estabilizando, o intervalo entre uma consulta e outra foi aumentando, até ficar uma vez por mês.

Nos dias de consulta, precisava chegar bem cedo — tipo umas 04h30 — para pegar senha e colher exames. Depois, esperávamos até a tarde para passar na consulta. Tínhamos que acordar às 3h30 da madrugada. Era muito cansativo, mas necessário. Enquanto esperávamos, ficávamos na Associação de Pacientes Transplantados. Lá, aprendi a fazer bijuterias com um casal de voluntários, seu Zé e dona Neida. Eles já eram bem idosos. Levavam todo o material que usávamos nas bijuterias e também bolos, bolachas e sucos para o lanche. Foi a dona Neida quem teve a ideia de eu vender o que fazia para ganhar um dinheiro.

A Associação fazia festas e passeios para os pacientes. Fui até a um jogo de futebol no Morumbi, ver Corinthians e Palmeiras, a convite da CBF. Entrei no campo com os jogadores, fiquei no camarote da Globo e ainda apareci no Globo Esporte. Foi também na Associação que dei algumas entrevistas para revistas, um jornal e um canal de TV a cabo.

Na época em que transplantei, quase todo mundo que eu conhecia também transplantou. O ambulatório foi ficando pequeno para o número de pacientes; vinham pessoas de várias cidades do estado e do Brasil para fazer transplante no HRim e, muitas vezes, seguiam acompanhando no ambulatório. Mesmo assim, o número de doadores era — e ainda é — pequeno.

Depois que transplantei, tudo melhorou na minha vida. Eu podia comer e beber de tudo. (Nossa! Como é bom poder beber água, suco, água de coco, achocolatado, comer frutas… tudo sem restrição. As pessoas que não têm problema nos rins não sabem o quanto têm que agradecer a Deus. Elas não imaginam o quanto é difícil não poder beber e nem comer tudo o que se tem vontade.) Pude até passar férias em Cananéia. (Antes, eu só podia ficar, no máximo, três dias fora de São Paulo.) Agora eu tinha tempo para estudar direito, fazer meus cursos, viajar e passear. Mas sempre me cuidando, é claro: tomando meus remédios e me prevenindo pra não pegar gripe, outras doenças e infecções.

Por causa da GESF, eu sempre perdia proteína na urina. Minha médica tentava amenizar com combinações de remédios, doses mais altas de prednisona e pulsoterapia com corticoide (o que me fazia inchar ainda mais). Mas nem sempre dava certo. Tinha dias em que eu perdia muita proteína e, por isso, ficava muito mais inchada — rosto, barriga e pés. Meus pés nem entravam nos sapatos; pareciam dois pães de tão inchados. E eu ficava cansada e indisposta.

Eu com dona Neida e seu Zé na festa de Natal da Associação.

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