Quando mudamos definitivamente para São Paulo, foi difícil para mim e para minha irmã nos acostumarmos com a casa, o bairro, a cidade… Era tudo muito diferente —principalmente o ambiente. Não tinha praia, não tinha as árvores, não tinha quintal com grama, não tinha nossa bisa, tias, primas e primos… Tudo e todos ficaram para trás! Minha irmã chorava querendo voltar. Para ela foi pior, principalmente porque era muito apegada à nossa bisa, já que a mãe passava mais tempo longe dela. Minha mãe trabalhava para uma bióloga, a “tia Rô”, na Ilha do Cardoso. Passava a semana na Ilha e, às vezes, viajava com a patroa ficando longe por dias ou semanas. Quando não era pelo trabalho, ficava longe da Bruna porque estava comigo no hospital.
A família do meu padrasto nos tratava muito bem! Nunca fizeram distinção entre mim e os demais sobrinhos e netos por eu ser enteada do Jorge. Isso ajudou muito! E, desde pequena, eu tinha consciência de que a mudança era para o meu bem, porque em Cananéia não havia tratamento para minha doença.
Brincávamos muito, juntos com os primos e primas! A diversão do dia a dia, amenizava a saudade de Cananéia.
Fui matriculada na escola Profº Oswaldo Quirino Simões, em 1996, com 8 anos. Eu já sabia ler, escrever e fazer contas. Minhas tias Bernardete e Claudete me ensinaram durante o ano de 1995. Estranhei a escola. A forma de ensinar era completamente diferente da escola em que estudei em Cananéia.
A mudança teve um processo doloroso de adaptação, mas nos acostumamos com tudo e com todos.


